A Virada da Hyundai

Como a empresa que era motivo de piada no mercado de automóveis se transformou na montadora que cresce mais rápido no mundo.

Num passado não muito distante, a montadora sul-coreana Hyundai era conhecida por fazer carros baratos, ruins e feios.
Seus produtos viraram motivo de piada em talk-shows americanos, tamanho o número de problemas que causavam a seus infelizes proprietários. A partir do final da década de 90, a empresa engrenou uma das guinadas mais impressionantes da história da industria automobilística. No lugar das carroças que eram motivo de chacota, a Hyundai investiu para colocar em linha modelos com design caprichado, tecnologia avançada e qualidade primorosa. Como resultado desse esforço, é hoje a montadora que cresce mais rápido no mundo. Nos Estados Unidos, suas vendas triplicaram desde 1999 e podem aumentar ainda mais. Neste mês, começaram a ser vendidos os carros da marca Sonata fabricados no país. O desempenho na Europa também tem sido positivo. No ano passado, enquanto Volkswagen e Fiat enfrentaram problema sérios, a montadora sul-coreana aumentou seu volume de vendas em torno de 20%. Se não bastasse, vem ganhando espaço considerável em mercados emergentes e estratégicos, como Índia e China.


Para que a virada da Hyundai se tornasse possível, foi preciso fazer uma revolução cultural dentro da empresa. A figura-chave na implantação da nova forma de trabalho foi o engenheiro Chung Mong Koo, que assumiu a presidência em 1998, depois de passar 24 anos no pós-venda da companhia. Ele combateu a mentalidade de fabricar veículos de forma rápida e barata, que estava enraizada havia décadas de anos mais diferentes níveis hierárquicos da montadora – dos executivos aos operários da linha de produção. Tal política havia revelado desastrosa parta os negócios da Hyundai. Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria J.D Power and Associates, feita há dez anos, seus carros eram classificados como medíocres no quesito qualidade. Desde que chegou ao companhia, Chung Mong Koo trabalhou de forma obsessiva para atacar esse problema e mudar a imagem da montadora.


Há vários exemplos de como essa mudança interferiu positivamente na filosofia das empresas e, conseqüentemente, nos resultados do negocio.


No ano passado, a Hyundai chegou a atrasar em dois meses o lançamento do seda Sonata porque ele não apresentava desempenho 100% satisfatório em todos os teste de qualidade. Corrigidos os problemas, o modelo chegou ao mercado e tornou-se um sucesso de vendas. A melhoria gradativa na qualidade dos produtos permitiu à fabrica um lance ousado de marketing: recentemente a Hyundai passou a oferecer garantia de uma década para seus veículos. Ao longo dos últimos tempos anos , conforme apontam os trabalhos da J.D Power and Associates, os índices da satisfação dos consumidores da marca coreana evoluíram sensivelmente e superam hoje os de marca como GM. “Consertar os erros na sua origem trouxe uma conseqüência muito positiva nos resultados de satisfação”, diz Neal Oddes, diretor de pesquisa da J.D Power and Associates.
Além de melhorar a qualidade dos carros, a Hyundai também investiu em produtos mais modernos, sobretudo nas áreas de design e de tecnologia. Nos últimos anos, foram gastos mais de 200 milhões de dólares na construção e na ampliação de modernos centros de pesquisa no Japão, na Alemanha e nos Estados Unidos. Desses laboratórios saíram produtos de sucesso como utilitários Santa Fé. Lançado em 2000, ele foi considerado inovador e se tornou um fenômeno de vendas. A montadora também investiu pesado na ampliação e na construção de fábricas fora da Coréia do Sul. Entre os mercados visados pela Hyundai, o dos Estados Unidos é o mais desejado. Só no ano passado, os consumidores americanos compraram cerca de 16,9 milhões de veículos novos.


Para conquistar esse consumidor, a Hyundai investiu 1,2 bilhão de dólares na construção de sua primeira fábrica nos Estados Unidos. Um modelo novo do Sonata foi desenvolvidos especialmente para exigentes mercado americano. A Hyundai conseguiu agregar acessórios sem que o comprador tenha de gastar mais por eles, como seis air-bags, CD com tocador de MP3 e controle eletrônico de estabilidade. O Sonata 2006 chegou no mercado custando menos de 20.000 dólares. No Brasil, a Hyundai está investindo 205 milhões de dólares para erguer uma fabrica em Camaçari, na Bahia. Em julho do ano que vem, deve ser montado por aqui o primeiro caminhão da marca Hyundai, seguido pela produção do utilitário Tucson.
Alguns especialistas compararam a Hyundai de hoje com a Toyota dos anos 80, quando a marca japonesa deixou de ser vista como a “estrangeira barata” para conquistar um lugar sólido no mercado internacional. A Hyundai tem feito isso, só que com muito mais rapidez. Toma-se como exemplo a evolução da produção de carros das duas montadoras entre 1998 e 2003. Enquanto a Toyota registrou crescimento de 20% no numero de veículos que siam de uma linha de montagem, a produção de carros da Hyundai aumentou mais de 65%, disparada a melhor performance de todos as montadoras, subindo do 15º para o nono lugar no ranking das maiores do setor automotivo. No ano passado, empresa escalou mais dois patamares, alcançando a sétima posição (deixavam Honda e Nissan para trás). Os executivos da Hyundai querem colocá-la, até 2010, entre as cinco principais montadoras de carros do mundo. Parece impossível. Mas é bom não duvidar de uma montadora que era uma piada até pouco tempo atrás e virou uma competidora respeitável.

Fonte: Revista Exame - 28 de setembro de 2005


 

 

 

 

 
 
 
©2005 Hyundai Brasil - Todos os direitos reservados
Créditos